5 Mitos sobre o vegetarianismo

Posted by joana
O vegetarianismo é uma opção alimentar praticada por muitos indivíduos, povos e grupos ao longo dos séculos, e em variadíssimas partes do mundo.  A primeira Sociedade Vegetariana de Portugal (entretanto extinta) surgiu em 1911. Antes disso o vegetarianismo era conhecido como regime vegetal ou regime pitagórico (segundo Pitágoras, o filósofo do século VI antes de Cristo). 
 
São várias as opções que levam a pessoa a adotar este tipo de alimentação - proteção dos animais, motivos ambientais, de saúde, espirituais, religiosos e ainda humanitários. Uma das principais razões é o impato ambiental. Sabe-se que as escolhas alimentares provocam um grande impato na natureza. Por exemplo, na Europa, o consumo alimentar representa 20 a 30% do impato ambiental de pequenas mudanças, como a eliminação de o consumo de carne, podem ter uma redução de cerca de 25%, considerado já uma dieta “sustentável”.
 
Ainda surgem alguns mitos em relação a este tipo de alimentação, decidimos explorar alguns:
 
1.Vegetarianismo é o mesmo que veganismo. Falso.
Muita gente faz confusão entre os dois. Na verdade, o vegetarianismo baseia-se numa alimentação à base de frutas, vegetais, cereais, sementes, grãos, algas e poderá incluir ainda ovos, e leite dependendo do tipo de vegetarianismo que se pratica, excluindo todos os tipos de carne (incluindo aves),  peixes e outros animais marinhos. O veganismo, é uma versão do vegetarianismo mas mais estrito, ou seja, para além da carne e peixe, exclui todos os alimentos de origem animal direta e indiretamente. Incluíndo os lacticínios, ovos, mel, entre outros que tenham no processo algo com origem animal, como é o caso da gelatina. 
 
2. A dieta vegetariana não é saudável. Falso.
Pelo contrário, a dieta vegetariana é uma das mais saudáveis que existe. Tem sido largamente estudada por ser uma dieta à base de produtos de origem vegetal que, sabe-se que, trás inúmeros benefícios para a saúde bem como prevenção de doenças crónicas muito prevalentes na nossa sociedade, como diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão. Existe evidência, que os vegetarianos têm níveis um perfil lipídico no sangue mais saudável, comparando com quem come carne, assim como associado a um IMC menor e a um risco menor risco de sofrer hipertensão. Os benefícios associados poderão ser justificafos devido ao menor consumo de produtos de origem animal e por incluir mais alimentos ricos em vitaminas, minerais, fitoquímicos e antioxidantes e fibras de qualidade.
Em relação à vitamina B12 que apenas se encontra em produtos de origem animal, sabe-se que a sua eventual carência pode ser colmatida atráves de certos produtos vegetais e cereais que já se encontram fortificados nesta vitamina (caso da soja) e se necessário através de suplementação. Se não for um vegetariano estrito, os ovos também fornecem uma boa dose desta vitamina.
 
3. A dieta vegetariana não tem proteína. Falso.
Esta é bem falsa pois, existem várias opções dentro dos alimentos vegetais que contém tanto ou mais proteína que os produtos de origem animal. São eles as leguminosas (feijão, grão, lentilhas), assim como a soja e cereais como a quinoa, a aveia, as sementes de cânhamo e os grãos de amaranto, que são igualmente substitutos proteícos dos produtos de origem animal e que fornecem a dose diária recomendada.
 
4. A dieta vegetariana é aborrecida. Falso.
A pessoa começando uma dieta vegetariana começa a explorar as várias opções e acaba percebendo que na verdade existem várias escolhas alimentares.  Existem mesmo pratos típicos adaptados em que os sabores são os mesmos, só muda os ingredientes. É uma dieta cheia de cor, sabores, e opções por explorar.
 
5. As crianças não podem ser vegetarianas. Falso.
Segundo a ADA (Associação Dietética Americana), uma dieta vegetariana bem planeada, é apropriada em qualquer fase do ciclo da vida, desde a gravidez, ao aleitamento, à primeira infância, infância, adolescência, idade adulta e terceira idade. As crianças vegans (vegetarianismo estrito) têm tendência a serem mais pequenas, no entanto dentro dos percentis de referência. Durante o crescimento e desenvolvimento fetal é importante uma dose de ómegas-3 adequada (nomeadamente DHA, que normalmente se encontra nos peixes gordos como atum, salmão, cavala) para um desenvolvimento cognitivo eficiente, que pode ser fornecido pelas sementes de linhaça, óleo de linhaça, óleo de soja e microalgas. 
 
Se está a pensar em adotar este estilo de vida recomendamos:
Vegetarian Society - https://www.vegsoc.org/goveggie
Associação Vegetariana Portuguesa - http://www.avp.org.pt/notiacutecias/o-que-o-vegetarianismo
 
Joana R. Lewis
Nutricionista Estagiária
Membro Estagiário da Ordem 2036NE
 
Referências:
Associação Vegetariana Portuguesa (http://www.avp.org.pt/notiacutecias/o-que-o-vegetarianismo, acedido a 15/09/2017);
American Dietetic Association. (2009). Appropriate Planned Vegetarian Diets Are Healthful, May Help in Disease Prevention and Treatment, Says American Dietetic Association.
Protein Quality, The dietitians Guide to vegetarians diets, 2004.
Hebbelinck M, Vegetarian Nut, 2001